“Agrônomo do futuro deve ter visão crítica e multidisciplinar, diz Confea”

“Investir na formação de um profissional com capacidade de análise crítica e conectado às demais áreas do conhecimento. Este será o principal desafio da agronomia brasileira no futuro próximo, de acordo como o coordenador das Câmaras Especializadas de Agronomia (CCEAGRO) do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Kleber Santos, que recebeu a equipe da Expedição Safra no fim de março em Brasília.”

“Para Santos, os engenheiros agrônomos estarão cada vez mais inseridos em um mundo globalizado e preocupado com os recursos naturais e com as pessoas, tendo de enfrentar uma agronomia pujante e tecnológica. “Esse profissional precisará ter uma visão não apenas produtivista, mas de desenvolvimento socioambiental”, explica, apontando para a necessidade de uma visão multidisciplinar dos novos profissionais e sempre conectada com outras áreas, especialmente as engenharias.

“O coordenador da CCEAGRO também demonstrou preocupação com o que chamou de “febre” de novos cursos de Agronomia que se multiplicam, especialmente os de ensino a distância. Esse assunto foi abordado em entrevista publicada no site Gazeta do Povo. Confira alguns trechos da entrevista:

Gazeta do Povo – Qual o principal desafio para o engenheiro agrônomo hoje em dia diante um mundo cada vez mais globalizado?

Kleber Santos: Neste ano vamos ter o Congresso Brasileiro de Agronomia, que vai ocorrer entre 20 e 23 de agosto, e as grandes demandas em discussão no Congresso serão as mesmas dos profissionais hoje, como discutir, por exemplo, a dimensão da agronomia em um panorama internacional e a capacidade do profissional brasileiro, que é muito valorizada lá fora, de transformar tudo o que encontra em terra fértil. Parafraseando Pero Vaz de Caminha, aqui no Brasil “tudo o que se investe em trabalho, dá.” Queremos mostrar um Brasil que trabalha, produz e tem conhecimento e capacidade. Nada se desenvolve espontaneamente. E temos que trabalhar conservando os nossos recursos ambientais sem esquecer do desenvolvimento social. O grande desafio do engenheiro agrônomo hoje é ter essa dimensão de uma agronomia pujante, tecnológica e que não tem uma visão apenas produtivista, mas de desenvolvimento socioambiental.

Como está a questão da formação profissional dos futuros agrônomos?

Santos: A gente defende na formação do engenheiro agrônomo que precisa haver a multidisciplinaridade e integração com outras áreas do conhecimento. Por isso somos contra o ensino 100% a distância. Ele é importante, mas você imagine fazer isso de modo inteiramente digital. Queremos o engenheiro conectado diretamente com outros profissionais do agronegócio.

Número de profissionais acompanha a demanda do país?

Santos: Temos hoje em torno de 105 mil profissionais registrados no Conselho e aproximadamente 460 cursos de formação. O que a gente nota é que há uma multiplicação desses cursos e a nossa preocupação é com a qualidade deles. O surgimento de um novo curso não pode ser só pensando na quantidade. Temos que nos preocupar que esse futuro profissional tenha uma formação conectada com os grandes desafios, senão vamos estar formando o que? O agricultor hoje também está conectado e tem muito acesso à informação. Ele quer um profissional que tenha capacidade de análise crítica. Não temos hoje um indicador preciso com relação ao número de engenheiros agrônomos necessários para o país. Essa é uma análise complexa, porque esse profissional não atua sozinho. Outra coisa é a capacidade de atuação, pois o agrônomo hoje pode utilizar uma série de ferramentas que multiplicam essa capacidade.

De que forma projetos com a Expedição Safra, do qual o Sistema Confea/Creas é parceiro, pode ajudar nesse sentido da formação profissional dos agrônomos?

Santos: A Expedição Safra hoje pode nos ajudar a identificar quais são as principais demandas para se formar um engenheiro agrônomo, sejam elas tecnológicas, de produção ou socioambientais. Podemos com isso montar o perfil ideal exigido do profissional Hoje temos uma grande preocupação dentro do Conselho que é fazer com que o agrônomo tenha um perfil mais eclético. Ele tem que entender de solos, de água, de plantas e de animais. Isso não exclui os especialistas, mas o agrônomo precisa ser um generalista que vai dialogar com os especialistas, porque é com ele, generalista, que o produtor vai falar para resolver o seu problema. Uma virtude desse projeto da Expedição é que ele mostra também o Brasil do agronegócio e da agropecuária que não está nas capitais, que é puxado pela agronomia, mas que envolve as demais engenharias, de transportes, de construção. Muitas vezes o que o campo reclama é que o poder de decisão não está onde está se desenvolvendo a socioeconomia brasileira. O Brasil que está acontecendo está no interior do país.

Os cursos de Agronomia estão alinhados em relação aos conteúdos e a qualidade desses conteúdos?

Santos: Hoje há uma febre muito grande de abertura de novos cursos e vagas e a nossa preocupação é justamente com essa qualidade, inclusive com o crescimento do EAD. Isso acende uma luz vermelha para a gente. Temos publicado vários documentos sobre isso, tivemos audiências recentemente com o secretário nacional de Ensino Superior do Ministério da Educação e com o diretor de Regulação da Secretaria de Ensino e Supervisão do MEC e entregamos a eles um documento que fala sobre essa preocupação com a qualidade. Não vou te dizer que os cursos são ruins, mas a heterogeneidade deles é muito grande, seja em escolas públicas ou privadas. Temos também vários rankings e parâmetros de qualidade, mas não sabemos quais os critérios usados, por isso não podemos adotá-los como referência.

O profissional de hoje precisa também de capacitação constante. Como ele está se preparando para isso?

Santos: Na medida em que temos esses seminários da Expedição Safra, temos também a oportunidade de trabalhar e interagir com as comunidades locais e capacitar os profissionais. A riqueza desse país não está só na soja, milho, carne e leite. Há um potencial enorme que precisa ser desenvolvido e que necessita de um profissional preparado. Se pegarmos por bioma, no caso do Amazônico o cupuaçu e o açaí – que não está só na Amazônia – tem enorme potencial. Na Europa, por exemplo, uma tigela de açaí é muito valorizada. Então esse profissional vai precisar saber trabalhar os potenciais de cadeia produtiva e conhecer os biomas. E ter também uma visão de gestão.”
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Exercício Profissional

Falar sobre o exercício profissional, voltamos nosso pensamento para os dispositivos legais, que norteiam as profissões do sistema CONFEA/CREA, que durante os setenta anos, cumpriu seus objetivos em consonância com, Leis, Decretos, Resoluções, Atos e outras diretrizes que impõem direitos e deveres aos profissionais para o bom desempenho de suas funções junto à sociedade.

     Ao longo do tempo, foram criadas novas profissões, cada uma com seu Decreto regulamentador, porém o geral fica por conta da Lei 5.194/66 de 24 de dezembro de 1966, que habilita e da atribuições aos profissionais da área tecnológica do país.

     O exercício profissional da engenharia, arquitetura e agronomia está ancorado dentro de um grande sistema, o sistema CONFENCREA, que por sua vez está sustentado em quatro subsistemas, passando pela: formação profissional, relações sociais, relações trabalhistas e finalmente o subsistema de fiscalização.

     A formação profissional – A escola é a grande responsável, a base da formação, indo desde o ensino fundamental até a formação universitária, dando competência aos profissionais, pois sem ela não teríamos os conselho.

      O subsistema de relações sociais -formado pelas associações, entidades de classe de cada categoria profissional, cujo objetivo fim é a busca da valorização profissional.

       Subsistema de relações trabalhistas -Também como a associações, são formadas por agrupamentos de profissionais, de várias outras categorias, cujo objetivo principal é a defesa do cumprimento dos dispositivos legais em favor dos profissionais na área trabalhistas, tendo como base mais forte entre outras, a luta pelo cumprimento junto as empresas a aplicação da Lei 4.950 A/66que dispõe sobre o salário mínimo profissional.

      Subsistema de Fiscalização – Constituído pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CONFEA e pelos Conselhos Regionais de Engenharia Arquitetura e Agronomia, em cada estado – os CREA’ s, que além da fiscalização é a instituição responsável pela normatização, habilitação e atribuição profissional, uma vez que, nenhum profissional poderá exercer sua profissão se não estiver registrada em seu conselho de classe, sob pena de ser autuado por exercício ilegal da profissão.

         Todos esses subsistemas que seriam ou são os pilares do sistema CONFEA/CREA, ao longo tempo vem se distanciando, provocando polemicas entre profissões, fato que grande parte de profissionais, talvez por desconhecimento tem mantido o firme propósito pela criação de seu Conselho especifico.

        A realidade é que os tempos mudaram, o mundo se interagiu, a área tecnológica se transformou com grande velocidade, e o sistema de formação profissional, ficou estagnado, sucateado, não acompanhou a evolução tecnológica, deixando o sistema CONFEA/CREA, a mercê de pressões das entidades de classe, que em alguns casos o na maioria impõem um corporativismo desviando o bom senso, desconhecendo as inovações e transformações tecnológicas.

         O mundo moderno, tem nos ensinado, que hoje o diploma, já não fica restrito apenas ao curso realizado, mais sim na busca de constantes atualizações, na reciclagem, cursos seqüenciais, com objetivo de acompanhar os avanços nas áreas de novos conhecimento de forma que não venha perder parte das atribuições dentro de sua modalidade, “não é o grande que engole o pequeno, mais sim o veloz que devora o lento”. Diante das transformações do dia adia, a entidade maior que regula todo o tipo de profissão o chamado “mercado” , é quem seleciona o profissional que lhe interessa, analisando sua competência, habilitação, formação ética, social, ambiental e sobretudo a sua legalidade junto ao seu Conselho.

            Fica a mensagem para os subsistemas, que formam e que dão sustentação para a existência do sistema, refletirem e reavaliarem suas participações como responsáveis pela existência dos Conselhos, principalmente o subsistema de formação profissional, que além da aplicação do conteúdo técnico/cientifico, deveria orientar o formando para a sua nova trajetória, a vida profissional, talvez a classe tecnológica fosse efetivamente reconhecida como de fundamental importância para a sociedade.

O Engenheiro Agrônomo

agronomia ou engenharia agronômica combina conhecimentos das ciências exatas, naturais, econômicas e sociais para melhorar a qualidade e produtividade de plantações, rebanhos e produtos agropecuários.

O agrônomo ou engenheiro agrônomo é um profissional de nível superior capaz de atuar em todas as etapas do agronegócio, desde o plantio da lavoura e criação dos animais até a industrialização, armazenamento, distribuição e comercialização de produtos e propriedades rurais de todos os portes, fazendas, granjas, abatedouros, indústria alimentícia, de sementes, de defensivos agrícolas e de rações, setor sucroalcooleiro, órgãos de defesa sanitária e universidades são alguns dos campos de atuação do agrônomo, que pode ainda exercer a profissão de forma autônoma como consultor.

O mercado de trabalho para o agrônomo está aquecido e os salários, mesmo para quem inicia na carreira, são atrativos.

Salário Mínimo Profissional do Agrônomo

De acordo a Lei 4.950-A/66, de 1966, que regulamenta a remuneração dos profissionais diplomados em Engenharia, Química, Arquitetura, Agronomia e Veterinária, a tabela salarial do profissional de agronomia está vinculada ao valor do salário mínimo vigente e à jornada diária do profissional, independentemente do seu local de atuação.
A profissão de engenheiro agrônomo tem se especializado cada vez mais e aberto a cada dia diferentes postos de trabalho. Aquela imagem tradicional do Agrônomo da extensão, no meio da lavoura, não foi de todo extinta, mas muitos deixaram as botas de lado. Temos agrônomos fazendo análise de mercado, em atraentes laboratórios de genética, cuidando de pragas urbanas, de resíduos tóxicos, de certificação de alimentos orgânicos e em ONGS – Organização não Governamental atentas a problemas ambientais provocados pela prática agrícola, sob tamanha diversificação da profissão sentimos todos a mudança, passando por três grandes impactos: do agrobusiness, da biotecnologia e da sustentabilidade ambiental e social.

A Agronomia

Na sua origem, a palavra Agrônomo designava, em Atenas, o magistrado encarregado da administração da periferia agrícola da cidade. Com esse sentido, a palavra passou a outras línguas, já na Idade Média (anos 1300). Na Europa, e na França em particular, o termo AGRÔNOMO surge nos dicionários a partir de meados dos anos 1700, com o sentido de “técnico que entende de agricultura” ou “aquele que escreve sobre agronomia”. Nesta época surge também a expressão “agricultor físico” significando “aquele que estuda cientificamente a natureza”.

A palavra agronomia se impõe mais lentamente que o termo agrônomo. Lavoisier, que demonstrou um senso aguçado em relação aos problemas agronômicos de sua época, utilizou unicamente o termo “economia política”, visto ao amplo sentido dado na época ao termo agronomia, comportando o comércio e o ofício da agronomia. A agronomia torna-se “oficial” primeiramente na Europa, em 1848, com a Fundação na França do Instituto Nacional Agronômico de Versailles (1848-1852).

Porém, a prática da agricultura tem mais de 10 mil anos e é por causa dela que a humanidade chegou aonde chegou. Ao deixar de ser apenas coletor e caçador e passar a produzir seu próprio alimento, talvez o ser humano tenha dado seu mais importante passo sobre a face da Terra. Se antes os homens gastavam todo o seu tempo e preocupação para procurar o que comer, com a agricultura, uns tantos puderam produzir alimento para os demais e com isso sobrou tempo livre para se criarem novas atividades, instrumentos, tecnologias e ainda diferentes formas de organização social. Já a agronomia foi organizada há cerca de 200 anos, apenas com a atribuição de estudar cientificamente a agricultura e também abastecer uma sociedade cada vez mais urbanizada. Em menos de dois séculos, a agronomia contribuiu para uma profunda alteração nas formas de produção agrícola. De prática e saber milenares que visavam sustentar a vida humana com produção de alimentos, a agricultura passou a ser um sistema intricado de relações e negócios, que objetiva agora não apenas produzir alimentos, mas mercadoria agrícola e lucro.