NOTA DE PESAR: Engº. Agrônomo Moisés Moreira dos Santos.

A Associação dos Engenheiros Agrônomos do Pará – AEAPA informa, com profundo pesar, o falecimento de seu Vice-Presidente, o Engenheiro Agrônomo Moisés Moreira dos Santos, ocorrido hoje, 19 de novembro de 2020.

Natural de Itaituba – PA, Moisés formou-se em agronomia no ano de 1976 na então Faculdade de Ciências Agrárias do Pará – FCAP, hoje UFRA. Moisés era conhecido por sua capacidade técnica, habilidades de liderança e seu perfil agregador.

Atuou na CEPLAC nos cargos de Pesquisador e posteriormente de Auditor Fiscal Federal Agropecuário, no qual se aposentou.

Moisés teve uma longa história junto a AEAPA, tendo participado ativamente de várias diretorias. Atualmente era Vice-Presidente. No CREA atuou como conselheiro e atualmente era conselheiro suplente.


Foi diretor da Associação dos Servidores da CEPLAC e exerceu diversas funções públicas, como Secretário de Estado de Transportes e Secretário de Economia do Município de Belém.

No Ministério da Agricultura foi Delegado Federal e Superintendente Federal, período no qual presidiu o Fórum Nacional de Superintendentes. Na CEPLAC foi Chefe da Divisão de Pesquisa e Superintendente.

Em todos essas funções deu importantíssimas contribuições ao desenvolvimento do Pará e da Amazônia.

A AEAPA por meio de sua Presidência e seu Corpo de Diretores, lamenta profundamente a perda do Engº Agrônomo Moises Moreira dos Santos e manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos.

12 de outubro -Dia do Engenheiro Agrônomo

No dia 12 de outubro, comemoramos o “Dia do Engenheiro Agrônomo”.

A Diretoria da AEAPA cumprimenta a valorosa classe dos Engenheiros Agrônomos que através dos variados campos de atuação prestam valiosa contribuição na produção de alimentos e de produtos voltados à industrialização.

Aproveitamos para convida-lo a assistir a promoção da COFEAEAB para essa data, constante de palestra a ser proferida pelo ex-Ministro da Agricultura, Engenheiro Agrônomo Alysson Paolinelli, sob o título, “As perspectivas da categoria pós-pandemia” por meio digital.

Mediação: Gilberto Fugimoto, diretor de comunicação da COFEAEAB.

Dia 12 de outubro, às 18 horas.

Link para acesso:

https://youtu.be/Fwkz5RWmZgw

A Diretoria da AEAPA convida para o Webinar: “AMAZÔNIA: QUAIS CAMINHOS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL?”

Dois cientistas brasileiros de destaque internacional, o climatologista Carlos Nobre e o Agrônomo Alfredo Homma, respectivamente pesquisadores do Instituto de Estudos Avançados da USP e da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (EMBRAPA) debaterão neste webinar as respostas possíveis a um dos maiores desafios que se coloca para o Brasil no século 21.

Link para acesso: https://zoom.us/download

Convite para o Webinar em arquivo PDF

NOVA DIRETORIA NA AEAPA

No dia 13 de julho p.p. ocorreu eleição e posse da Diretoria Executiva, Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal da AEAPA. Em virtude da ausência de candidatos, não foram eleitos o Presidente e o Secretário Geral da Assembleia Geral, havendo, portanto a necessidade de realização de nova eleição, exclusiva para esses cargos.

A diretoria executiva tem a seguinte composição: Presidente Antônio Albério; Vice Presidente Moises Santos; Dir. Administrativa Bruna Oliveira; Vice Dir. Adm. Francisco Braz; Dir. Financeira Maria de Jesus Rodrigues; Vice Dir. Financeiro Edmilson da Silva. Conselho Deliberativo: Celso Puget Botelho; Dilson Capucho Frazão; Elias Lima; Francisco Rodrigues Nogueira; Marcel Botelho e Pedro Paulo Mota. Conselho Fiscal Titulares : Amintas Brandão; Rosangela Lucena e Raimundo Ribeiro. Conselho Fiscal Suplentes: Ubiran Messias Costa; Celio Costa e Darcio Fernandes.

Brasil faz ofensiva por mercados para carne

Ministra da Agricultura chegou antes do presidente Bolsonaro para cortejar mercado de mais de 1,3 bilhão de pessoas

Nesta terça-feira (21) o governo brasileiro inicia mais uma tentativa de expandir as exportações de carne, um dos setores mais promissores do agronegócio.

Após visita a Alemanha e rápida passagem pela Itália, onde esteve com autoridades do setor para discutir a agenda bilateral, a ministra da Agricultura Tereza Cristina desembarca hoje na Índia.

Os detalhes da agenda ainda não foram divulgados, mas ela terá três dias de compromissos oficiais até a chegada do presidente Jair Bolsonaro, prevista para a sexta-feira (24).

O Brasil está de olho no potencial do mercado da Índia, que tem mais de 1,3 bilhão de habitantes e deve ultrapassar a China como país mais populoso do mundo nos próximos 10 anos.

Preocupação ambiental atinge venda de carne e bebidas

Consumidores preocupados com o meio ambiente estão reduzindo gastos com carne e bebidas engarrafadas e tentando diminuir os resíduos plásticos, uma tendência que deve se acelerar à medida que cresce a preocupação com o clima, mostrou uma pesquisa global nesta terça-feira.

Cerca de um terço das pessoas entrevistadas em 24 países da Europa, América Latina e Ásia está alarmada a respeito do meio ambiente, e metade delas —16% do total global— está adotando ações para reduzir seu impacto pessoal.

“Já estamos vendo pequenas reduções nos gastos com carne, bebidas engarrafadas e categorias como lenços umedecidos”, disse a empresa de dados analíticos Kantar em um relatório sobre a pesquisa.

“À medida que os mercados enriquecem, o foco em questões de ambientalismo e de plásticos cresce. No futuro, podemos esperar ver a parcela de consumidores ‘ecoativos’ aumentar em países com um Produto Interno Bruto (PIB) crescente”, acrescentou.

A pesquisa com mais de 65 mil pessoas indicou que os consumidores da Europa ocidental são os mais inclinados a tentar reduzir seu impacto ambiental, e que a maioria da população da América Latina e da Ásia tem pouco ou nenhum interesse no assunto.

O Chile é a exceção latino-americana e o país com mais consumidores ecologicamente engajados do mundo — 37% dos entrevistados estão tentando realizar mudanças práticas.

Áustria e Alemanha são as próximas em termos de consumidores conscientes, e o Reino Unido não fica muito atrás, disse a Kantar, prevendo que as vendas de carne fresca no país podem recuar até 4% nos próximos dois anos se o ambientalismo continuar se disseminando.

“Nosso estudo mostra que existe uma demanda alta por produtos ecológicos que têm preços competitivos e estão amplamente disponíveis”.

No mês passado, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) disse que o consumo mundial de carne precisa cair para conter o aquecimento global, e que alimentos de origem vegetal podem contribuir para a redução das emissões de dióxido de carbono.

Houve uma explosão de empresas que oferecem alternativas à carne, como a californiana Beyond Meat e a Impossible Foods, e gigantes do setor alimentício, como a Nestlé, também estão lançando hambúrgueres de vegetais.

A Kantar disse que 48% dos consumidores querem que as empresas de bens ao consumidor façam mais para cortar os resíduos plásticos, e observou que dezenas delas, como Nestlé, Coca-Cola, Unilever, Walmart e Carrefour, firmaram um compromisso de tornar suas embalagens reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2025 (Reuters, 10/9/19)

Fonte: Reuters, 10/9/19

Programa que criticou o agro admite que errou: ‘Queremos nos corrigir’

Após reação do setor, atração comandada por Fábio Porchat convidou especialista para debater o sistema de produção utilizado no Brasil .

O apresentador Fábio Porchat, titular do programa Papo de Segunda do canal GNT, iniciou o programa desta segunda-feira, 12, com um esclarecimento sobre o programa da semana anterior, quando foram feitas várias críticas ao agronegócio, apontado como vilão do meio ambiente.

As declarações dos apresentadores, entre eles Porchat, geraram forte reação do setor produtivo, que alegou falta de conhecimento os famosos sobre o assunto. “Recebi muitas mensagens e ligações depois daquele dia, muitas pessoas me questionaram (…). No entanto, uma delas parou para conversar comigo, foi quando eu consegui ouvir”, relatou Fábio Porchat, ao se referir ao engenheiro florestal Tasso Azevedo, líder de projeto para mapear o uso do solo no Brasil.

“Quero começar me corrigindo, pois eu disse que o cocô do boi em excesso lá no pasto, após as chuvas, corria para os rios, poluindo os rios, e depois ia para os mares, prejudicando a vida marinha. Acontece que eu vi dois documentários sobre isso, mas o meu erro foi trazer a realidade norte-americana para o Brasil, onde a maioria do gado é criada solta e não em confinamento, como é feito nos EUA, não gerando essa grande concentração de excrementos”,  disse o apresentador.

Tasso complementou esclarecendo que, no Brasil, mesmo onde há confinamento, ele é muito tecnificado e o excremento é reutilizado no pasto como forma de adubo. O especialista disse também que a poluição dos oceanos tem muito mais a ver com poluição urbana do que qualquer tipo de resíduo gerado no campo.

Gás metano?

Outro equívoco cometido por Porchat e esclarecido no programa desta segunda foi sobre o fato das flatulências dos bois prejudicarem a camada de ozônio. Em um vídeo rebatendo esta acusação, a youtuber Camila Telles já havia explicado que a maior parte dos bovinos brasileiros é criada a pasto, o que acaba equilibrando essa emissão de metano.

Tasso Azevedo, convidado do programa, foi ainda mais detalhista nessa questão que é repassada há muitos anos para atingir a agropecuária. “Na verdade, o metano vem do ‘arroto’ do gado. De fato, o gás tem uma capacidade 25% maior no aquecimento do planeta quando comparado ao CO2. Em uma conta rápida, podemos dizer que um boi produz 50 quilos de metano ao ano, que tem o efeito equivalente a uma tonelada de CO2, que é a mesma quantidade emitida por um automóvel no ano. Ou seja, um boi equivale a um carro quando o assunto é efeito estufa”, disse.

No entanto, um pasto bem manejado acaba acumulando carbono em suas raízes. “Esse pasto segura o carbono no solo e isso acaba equilibrando a emissão de metano. O que precisa ser combatido é o pasto degradado”, falou.

O engenheiro florestal ainda deixou claro que o gás emitido pelos bois não tem nada a ver com a camada de ozônio do planeta.

O agro é contra o desmatamento

Outro ponto levantado no programa foi a questão de desmatamento ilegal e como o setor do agronegócio tem reagido para que esse tipo de crime deixe de ocorrer. Segundo Tasso, há um interesse dos produtores para que a imagem do Brasil seja de um país que respeite o meio ambiente, pois isso pode ser bom, inclusive, para os negócios.

“Há um entendimento de que o crescimento por produtividade é muito mais eficiente do que o crescimento por área e o estado de São Paulo é um bom exemplo para isso, onde a cana dobrou de área, crescendo sobre o pasto e também houve aumento da área de floresta”, contou.

O convidado falou ainda do engajamento do setor produtivo no combate à grilagem de terra. “Esse desmatamento descontrolado prejudica o próprio setor. Quem faz direito acaba sendo prejudicado (…). Há um movimento para diminuir essas ações ilegais (…); o Brasil é exemplo em várias áreas, como café, cacau, papel e celulose, ou a própria cana-de-açúcar. Essas pessoas acabam sendo atingidas injustamente, mas também é preciso conviver, pois se alguém diz algo errado, é preciso esclarecer”, falou Azevedo.

Agrotóxico

Para finalizar os esclarecimentos sobre o que foi dito de errado na última semana, o programa abordou o tema agrotóxico. Na visão de muitos, os produtos são usados indiscriminadamente no Brasil, ao contrário do que fariam outros países.

Acontece que boa parte da produção brasileira é exportada e o nível de exigência dos países compradores é altíssimo em relação aos produtos. “O produtor em geral gostaria de se livrar dos agrotóxicos, pois é um insumo que custa caro. Tem uma parte que é cultura e educação, outra é necessidade e outra é inovação”, falou o especialista.

Agora mais esclarecido, o próprio Porchat refletiu sobre algumas das acusações feitas ao setor. “A gente fala da Europa, do (presidente) Macron. O Brasil autorizou o uso de agrotóxicos que são proibidos lá, mas eles compram os produtos que usam esses defensivos. Há um pouco de hipocrisia por parte dos europeus quando falam disso.”

Após um debate que durou quase 30 minutos, os apresentadores reconheceram os erros ao falar do agronegócio e se desculparam por isso. “Quando o Fábio (Porchat) começou a receber críticas, decidimos aqui entre nós que deveríamos esclarecer os erros que cometemos. Essa é uma atitude mais politicamente saudável para proposição do debate público”, concluiu Francisco Bosco, também titular do semanário.

Fonte: Canal Rural

Novas tecnologias digitais auxiliam produção no campo

A Internet das Coisas (IdC) promete aumentar a produtividade da agropecuária brasileira e reduzir o consumo de insumos importantes, como os defensivos

Usar um sensor para prever se vai chover em uma propriedade e, assim, identificar o melhor momento de aplicar um defensivo agrícola. Ter um equipamento em um trator que monitora se ele para ou quebra de modo a permitir uma manutenção rápida. Inserir pequenos aparelhos no solo para ter indicadores para o plantio, como por exemplo, o nível de umidade. Essas são algumas das aplicações da chamada Internet das Coisas (IdC) que começam a ser implantadas em projetos no campo.

A IdC (ou IoT, sigla em inglês para “Internet of Things) é um nome dado a um conjunto de tecnologias que permite um monitoramento mais eficiente, em diversas áreas e em tempo real por meio de dinâmicas de comunicação máquina a máquina com diversas finalidades, como elevar a capacidade de monitoramento e controle sobre uma determinada atividade, como nos exemplos citados acima.

Essas tecnologias trazem novas possibilidades na gestão da produção rural. Satélites com serviços mais acessíveis viabilizam o monitoramento de lavouras. Colheitadeiras modernas permitem saber a produtividade por talhão (unidade por área). Soluções de irrigação inteligente avaliam o nível de água no solo para evitar desperdício e diminuir gastos.

Segundo a chefe-geral da unidade de informática agropecuária da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, embora várias dessas tecnologias estejam começando a ser adotadas no Brasil, o país ainda está em um estágio inicial no emprego de IdC no campo e tem como desafio integrar os projetos e soluções sendo utilizadas.

“O desafio nosso é o fato de que você já tem vários tipos de dispositivos. Mas não tem ainda estes conectados ou porque não tem conectividade no campo ou porque os dados são heterogêneos ou porque não tem forma de integrar em aplicação”, explica a chefe da Embrapa. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2018, do Comitê Gestor da Internet, enquanto o percentual de brasileiros conectados nos centros urbanos chega a 80%, nas áreas rurais ele fica em 59%.

Projetos-piloto

Um dos projetos-piloto em desenvolvimento pela Embrapa tem como foco o monitoramento de pragas e doenças. Por meio do monitoramento e previsão do clima com o uso de estações meteorológicas o objetivo é evitar a incidência de ferrugem asiática na soja. “O sistema vai receber a data mais certa para aplicar o defensivo dependendo do clima, cruzando com dados da doença. Vamos medir se isso realmente ajudou a reduzir custo e aumentou produtividade”, explica Silvia Massruhá.

Outro projeto, também coordenado pela empresa pública, envolve a otimização de formas denominadas no setor de “integração lavoura, pecuária e floresta”. Um produtor de soja, por exemplo, que planta durante três meses fica com a área ociosa no restante do ano. Ele poderia, com auxílio das tecnologias, encontrar outros usos para o solo, como o plantio de pastagem para a criação de gado. Ao lado do pasto poderia ser plantado eucalipto, o que possibilita sombra para os animais.

Os sistemas de Internet das Coisas no projeto-piloto vão medir diversos aspectos dessa integração. É o caso dos níveis de adubação do solo. Os bois terão chips implantados e por meio desse equipamento e outros (como balanças) será realizado um cruzamento de dados com outros aspectos, como alimentação, para identificar o seu desenvolvimento e a melhor hora do abate. O teste será realizado com produtores em cinco estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Piauí.

No Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, um terceiro projeto-piloto busca otimizar a produção de leite, com procedimentos como o monitoramento da alimentação dos bois e a automatizando da ordenha. Ao fim, o leite será comparado com outros sem a adoção dessas tecnologias para avaliar se essas soluções geraram melhoria da quantidade e da qualidade do produto.

O centro de desenvolvimento de tecnologia CPQD conduz um projeto com uma empresa agropecuária instalando sensores em tratores e outros equipamentos com o propósito de monitorar o desempenho das máquinas. O sistema vai acompanhar a distância rodada, o consumo de combustível e eventuais problemas de modo a identificar demandas de manutenção.

“Imagina se você está no meio do campo e a máquina quebra. O produtor tem que parar a colheita, remover a máquina e mandar outra. Se for possível pegar todos os dados dela e prever que ela tem possibilidade muito grande de quebrar, a pessoa poderá encaminhar pra manutenção antes que ocorra alguma coisa”, explica o diretor de inovação do CPQD, Paulo Curado.

Políticas públicas

A agropecuária é apontada por pesquisadores, empresários e autoridades como um dos setores onde as tecnologias de Internet das Coisas vêm obtendo evolução mais rápida. “Tem muito potencial no Brasil na parte de agricultura. É uma das áreas prioritárias e que vem forte nos próximos anos”, destaca o presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), Flávio Maeda.

A área foi escolhida como uma das prioritárias no Plano Nacional de Internet das Coisas, lançado em junho. O documento aponta diretrizes genéricas, sem entrar nos detalhes de que medidas serão adotadas por órgãos estatais para estimular essas tecnologias no campo.

A elaboração de propostas e projetos ficará a cargo de um grupo criado para esta finalidade, denominado Câmara Agro 4.0. Encabeçado pelos ministérios da Agricultura (Mapa) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), contará também com a participação de outros órgãos, de pesquisadores e de associações e empresas do setor no país.

Segundo o secretário de inovação, desenvolvimento rural e irrigação do Mapa, Fernando Camargo, os integrantes vão avaliar ações em diversas frentes. A mais importante será a ampliação da conectividade nas áreas rurais, dada a extensão territorial e o contingente de pessoas ainda fora da Internet nesses locais. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2017, do Comitê Gestor da Internet, enquanto o índice de lares com acesso à web é de 65% nas regiões urbanas, nas rurais ele cai para 34%.

A Câmara também deverá se debruçar sobre programas para fomento à aquisição e difusão de tecnologias inovadoras. Dentre essas, um dos intuitos é estimular a criação e o crescimento das empresas de base tecnológica, também conhecidas como startups. O objetivo com a disseminação dessas soluções técnicas é ampliar a produtividade no campo. “Precisamos incentivar novas empresas, startups, para aumentar cadeia produtiva dentro da área do agronegócio”, defendeu o titular do MCTIC, Marcos Pontes, no evento de lançamento da Câmara.

Fonte: Agencia Brasil
11 de setembro de 2019 às 08h44

Para salvar as abelhas é preciso mudar colmeias

A diminuição de quase 40% no número mundial da população dos principais polinizadores, as abelhas, está exigindo que se criem mais colmeias diferenciadas para “salvar” esses insetos. Foi isso que informou o especialista Derkel Mitchell, em um artigo que foi publicado no portal The Conversation.

Além disso, ele explica que é preciso que a apicultura utilize técnicas modernas para proteger as suas abelhas, como o monitoramento daquelas que vivem em locais muito diferentes do seu habitat natural. Mitchell é especialista no assunto, tendo dedicado anos de sua vida acompanhando a apicultura.

“Há alguns anos, demonstrei que as perdas de calor das colmeias artificiais, ou seja, aquelas feitas pelo homem, são muitas vezes maiores do que os seus ninhos na natureza. Agora, usando técnicas de engenharia é possível encontrar mais facilmente esses problemas. É possível notar que o desenho atual das colmeias artificiais também cria níveis de umidade mais baixos, que favorecem parasitas predadores dos insetos”, comenta.

Isso porque, os ninhos naturais que são formados dentro das cavidades das árvores criam altos níveis de umidade, onde as abelhas conseguem evitar que esses parasitas se reproduzam, podendo estragar a qualidade de vida da colmeia, ou até dizimar a população. “Podemos ver a qualidade das abelhas na sua capacidade diferenciada de escolher ninhos maiores ou menores, dependendo das características do ambiente e também das próprias características dos polinizadores para aquele local específico”, conclui o especialista, em sua publicação.

Bioinseticida tem controle superior da lagarta-do-cartucho

Em sua primeira safra comercial, o bioinseticida Cartugen apresentou resultados 72% superiores no controle da lagarta Spodoptera frugiperda no algodão em relação ao tratamento químico. É o que comprovaram pesquisadores referenciados no Brasil, de acordo com relatórios de eficácia do produto aplicado em 34 áreas da pluma – uma área equivalente a 250 mil hectares – comparado ao tratamento padrão.

A entomologista Dr. Lucia Vivan, há 16 anos na Fundação Mato Grosso (FMT), integrou a equipe de consultores que avaliou os efeitos de baculovírus sobre Spodopteras no algodoeiro, coordenando os estudos na região de Alto Garças (MT). De acordo ela, o Cartugen “se encaixa adequadamente ao manejo de S. frugiperda”.

“Na área com emprego de baculovírus houve melhor controle de S. frugiperda do que naquela tratada somente com químicos, além de proteção da estrutura das maçãs do algodão. Baculovírus são uma opção. O produtor deve aplicá-los com nova mentalidade, enxergando uma boa alternativa de longo prazo para ter melhor resultado de controle”, afirma Lucia.

O professor/Doutor da Unesp de Ilha Solteira (SP), Geraldo Papa, relata que as pesquisas que acompanhou no Mato Grosso (região da paulista Votuporanga) mostraram que o controle biológico com baculovírus funcionou como “segurador de populações de pragas”: “A entrada dos baculovírus ajudou muito na proteção das maças do algodão. Quando se associa baculovírus ao inseticida químico, há bom controle da Spodoptera frugiperda”.

Marco Tamai, professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia, campus de Barreiras, salienta igualmente o bom resultado da inserção de vírus ao manejo químico da Spodoptera frugiperda. “A safra 2018-2019 teve uma das maiores infestações de Spodopteras que vi. Houve áreas quase cem por cento infestadas. O vírus potencializou o resultado dos químicos e isso não foi coincidência, porque já acontece há três safras consecutivas”, resume Tamai.

Segundo Adriano Vilas Boas, diretor da fabricante do Cartugen (AgBiTech), os estudos da safra 2018-19 compreenderam a média de 4,5 aplicações do bioinseticida, em áreas comerciais da Bahia, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Já o tratamento padrão do produtor de algodão contra a Spodoptera frugiperda se baseia somente nos inseticidas químicos.

“A inserção dos baculovírus ao manejo da Spodoptera frugiperda preservou o potencial produtivo de lavouras de algodão. Os campos auditados registraram média de 13 estruturas reprodutivas a mais por metro linear ante o manejo do produtor, um ganho equivalente a 25 arrobas (375 kg) de algodão em caroço por hectare”, afirma Vilas Boas.

Ele destaca ainda que os indicadores de desempenho do bioinseticida Cartugen medidos na safra 2018-19 receberam a aprovação da consultoria global SGS. A lagarta-do-cartucho provoca danos a até 60% de uma lavoura de algodão, transferindo prejuízos anuais da ordem de US$ 500 milhões a produtores brasileiros da pluma.

Vilas-Boas afirma que em 71% das áreas monitoradas o produto Cartugen trouxe resultados superiores aos do tratamento padrão na retenção de maçãs e plumas, na 1ª e na 2ª posição dos ramos. “Em relação às estruturas reprodutivas totais, o produto entregou resultados superiores em 74% dos casos.”

O diretor da AgBiTech estima que na safra de verão 2019-20 a empresa chegará à marca de 2 milhões de hectares tratados com seus baculovírus, em soja, algodão, feijão, tomate e demais ‘culturas de cobertura’: “O planejamento prevê lançamentos de produtos e a ampliação da capacidade da fábrica no Texas (EUA), para suprir à demanda crescente do Brasil.”

De acordo com os especialistas, a adoção dos baculovírus no controle de lagartas do gênero Spodoptera no algodão, sobretudo da lagarta-do-cartucho, deve ser intensificada nas próximas safras. A tendência de crescimento do mercado de defensivos biológicos no Brasil foi detectada no último estudo BIP – Business Inteligence Panel, da consultoria Spark Inteligência Estratégica. O levantamento apontou que somente na sojicultura esses produtos movimentaram US$ 100 milhões na safra 2018-19, com alta de 45%. A área tratada com biológicos na soja também cresceu para 7,8 milhões de hectares, uma elevação de 152%.

Fonte: AGROLINK –Leonardo Gottems