Preocupação ambiental atinge venda de carne e bebidas

Consumidores preocupados com o meio ambiente estão reduzindo gastos com carne e bebidas engarrafadas e tentando diminuir os resíduos plásticos, uma tendência que deve se acelerar à medida que cresce a preocupação com o clima, mostrou uma pesquisa global nesta terça-feira.

Cerca de um terço das pessoas entrevistadas em 24 países da Europa, América Latina e Ásia está alarmada a respeito do meio ambiente, e metade delas —16% do total global— está adotando ações para reduzir seu impacto pessoal.

“Já estamos vendo pequenas reduções nos gastos com carne, bebidas engarrafadas e categorias como lenços umedecidos”, disse a empresa de dados analíticos Kantar em um relatório sobre a pesquisa.

“À medida que os mercados enriquecem, o foco em questões de ambientalismo e de plásticos cresce. No futuro, podemos esperar ver a parcela de consumidores ‘ecoativos’ aumentar em países com um Produto Interno Bruto (PIB) crescente”, acrescentou.

A pesquisa com mais de 65 mil pessoas indicou que os consumidores da Europa ocidental são os mais inclinados a tentar reduzir seu impacto ambiental, e que a maioria da população da América Latina e da Ásia tem pouco ou nenhum interesse no assunto.

O Chile é a exceção latino-americana e o país com mais consumidores ecologicamente engajados do mundo — 37% dos entrevistados estão tentando realizar mudanças práticas.

Áustria e Alemanha são as próximas em termos de consumidores conscientes, e o Reino Unido não fica muito atrás, disse a Kantar, prevendo que as vendas de carne fresca no país podem recuar até 4% nos próximos dois anos se o ambientalismo continuar se disseminando.

“Nosso estudo mostra que existe uma demanda alta por produtos ecológicos que têm preços competitivos e estão amplamente disponíveis”.

No mês passado, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) disse que o consumo mundial de carne precisa cair para conter o aquecimento global, e que alimentos de origem vegetal podem contribuir para a redução das emissões de dióxido de carbono.

Houve uma explosão de empresas que oferecem alternativas à carne, como a californiana Beyond Meat e a Impossible Foods, e gigantes do setor alimentício, como a Nestlé, também estão lançando hambúrgueres de vegetais.

A Kantar disse que 48% dos consumidores querem que as empresas de bens ao consumidor façam mais para cortar os resíduos plásticos, e observou que dezenas delas, como Nestlé, Coca-Cola, Unilever, Walmart e Carrefour, firmaram um compromisso de tornar suas embalagens reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2025 (Reuters, 10/9/19)

Fonte: Reuters, 10/9/19

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Programa que criticou o agro admite que errou: ‘Queremos nos corrigir’

Após reação do setor, atração comandada por Fábio Porchat convidou especialista para debater o sistema de produção utilizado no Brasil .

O apresentador Fábio Porchat, titular do programa Papo de Segunda do canal GNT, iniciou o programa desta segunda-feira, 12, com um esclarecimento sobre o programa da semana anterior, quando foram feitas várias críticas ao agronegócio, apontado como vilão do meio ambiente.

As declarações dos apresentadores, entre eles Porchat, geraram forte reação do setor produtivo, que alegou falta de conhecimento os famosos sobre o assunto. “Recebi muitas mensagens e ligações depois daquele dia, muitas pessoas me questionaram (…). No entanto, uma delas parou para conversar comigo, foi quando eu consegui ouvir”, relatou Fábio Porchat, ao se referir ao engenheiro florestal Tasso Azevedo, líder de projeto para mapear o uso do solo no Brasil.

“Quero começar me corrigindo, pois eu disse que o cocô do boi em excesso lá no pasto, após as chuvas, corria para os rios, poluindo os rios, e depois ia para os mares, prejudicando a vida marinha. Acontece que eu vi dois documentários sobre isso, mas o meu erro foi trazer a realidade norte-americana para o Brasil, onde a maioria do gado é criada solta e não em confinamento, como é feito nos EUA, não gerando essa grande concentração de excrementos”,  disse o apresentador.

Tasso complementou esclarecendo que, no Brasil, mesmo onde há confinamento, ele é muito tecnificado e o excremento é reutilizado no pasto como forma de adubo. O especialista disse também que a poluição dos oceanos tem muito mais a ver com poluição urbana do que qualquer tipo de resíduo gerado no campo.

Gás metano?

Outro equívoco cometido por Porchat e esclarecido no programa desta segunda foi sobre o fato das flatulências dos bois prejudicarem a camada de ozônio. Em um vídeo rebatendo esta acusação, a youtuber Camila Telles já havia explicado que a maior parte dos bovinos brasileiros é criada a pasto, o que acaba equilibrando essa emissão de metano.

Tasso Azevedo, convidado do programa, foi ainda mais detalhista nessa questão que é repassada há muitos anos para atingir a agropecuária. “Na verdade, o metano vem do ‘arroto’ do gado. De fato, o gás tem uma capacidade 25% maior no aquecimento do planeta quando comparado ao CO2. Em uma conta rápida, podemos dizer que um boi produz 50 quilos de metano ao ano, que tem o efeito equivalente a uma tonelada de CO2, que é a mesma quantidade emitida por um automóvel no ano. Ou seja, um boi equivale a um carro quando o assunto é efeito estufa”, disse.

No entanto, um pasto bem manejado acaba acumulando carbono em suas raízes. “Esse pasto segura o carbono no solo e isso acaba equilibrando a emissão de metano. O que precisa ser combatido é o pasto degradado”, falou.

O engenheiro florestal ainda deixou claro que o gás emitido pelos bois não tem nada a ver com a camada de ozônio do planeta.

O agro é contra o desmatamento

Outro ponto levantado no programa foi a questão de desmatamento ilegal e como o setor do agronegócio tem reagido para que esse tipo de crime deixe de ocorrer. Segundo Tasso, há um interesse dos produtores para que a imagem do Brasil seja de um país que respeite o meio ambiente, pois isso pode ser bom, inclusive, para os negócios.

“Há um entendimento de que o crescimento por produtividade é muito mais eficiente do que o crescimento por área e o estado de São Paulo é um bom exemplo para isso, onde a cana dobrou de área, crescendo sobre o pasto e também houve aumento da área de floresta”, contou.

O convidado falou ainda do engajamento do setor produtivo no combate à grilagem de terra. “Esse desmatamento descontrolado prejudica o próprio setor. Quem faz direito acaba sendo prejudicado (…). Há um movimento para diminuir essas ações ilegais (…); o Brasil é exemplo em várias áreas, como café, cacau, papel e celulose, ou a própria cana-de-açúcar. Essas pessoas acabam sendo atingidas injustamente, mas também é preciso conviver, pois se alguém diz algo errado, é preciso esclarecer”, falou Azevedo.

Agrotóxico

Para finalizar os esclarecimentos sobre o que foi dito de errado na última semana, o programa abordou o tema agrotóxico. Na visão de muitos, os produtos são usados indiscriminadamente no Brasil, ao contrário do que fariam outros países.

Acontece que boa parte da produção brasileira é exportada e o nível de exigência dos países compradores é altíssimo em relação aos produtos. “O produtor em geral gostaria de se livrar dos agrotóxicos, pois é um insumo que custa caro. Tem uma parte que é cultura e educação, outra é necessidade e outra é inovação”, falou o especialista.

Agora mais esclarecido, o próprio Porchat refletiu sobre algumas das acusações feitas ao setor. “A gente fala da Europa, do (presidente) Macron. O Brasil autorizou o uso de agrotóxicos que são proibidos lá, mas eles compram os produtos que usam esses defensivos. Há um pouco de hipocrisia por parte dos europeus quando falam disso.”

Após um debate que durou quase 30 minutos, os apresentadores reconheceram os erros ao falar do agronegócio e se desculparam por isso. “Quando o Fábio (Porchat) começou a receber críticas, decidimos aqui entre nós que deveríamos esclarecer os erros que cometemos. Essa é uma atitude mais politicamente saudável para proposição do debate público”, concluiu Francisco Bosco, também titular do semanário.

Fonte: Canal Rural

Novas tecnologias digitais auxiliam produção no campo

A Internet das Coisas (IdC) promete aumentar a produtividade da agropecuária brasileira e reduzir o consumo de insumos importantes, como os defensivos

Usar um sensor para prever se vai chover em uma propriedade e, assim, identificar o melhor momento de aplicar um defensivo agrícola. Ter um equipamento em um trator que monitora se ele para ou quebra de modo a permitir uma manutenção rápida. Inserir pequenos aparelhos no solo para ter indicadores para o plantio, como por exemplo, o nível de umidade. Essas são algumas das aplicações da chamada Internet das Coisas (IdC) que começam a ser implantadas em projetos no campo.

A IdC (ou IoT, sigla em inglês para “Internet of Things) é um nome dado a um conjunto de tecnologias que permite um monitoramento mais eficiente, em diversas áreas e em tempo real por meio de dinâmicas de comunicação máquina a máquina com diversas finalidades, como elevar a capacidade de monitoramento e controle sobre uma determinada atividade, como nos exemplos citados acima.

Essas tecnologias trazem novas possibilidades na gestão da produção rural. Satélites com serviços mais acessíveis viabilizam o monitoramento de lavouras. Colheitadeiras modernas permitem saber a produtividade por talhão (unidade por área). Soluções de irrigação inteligente avaliam o nível de água no solo para evitar desperdício e diminuir gastos.

Segundo a chefe-geral da unidade de informática agropecuária da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, embora várias dessas tecnologias estejam começando a ser adotadas no Brasil, o país ainda está em um estágio inicial no emprego de IdC no campo e tem como desafio integrar os projetos e soluções sendo utilizadas.

“O desafio nosso é o fato de que você já tem vários tipos de dispositivos. Mas não tem ainda estes conectados ou porque não tem conectividade no campo ou porque os dados são heterogêneos ou porque não tem forma de integrar em aplicação”, explica a chefe da Embrapa. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2018, do Comitê Gestor da Internet, enquanto o percentual de brasileiros conectados nos centros urbanos chega a 80%, nas áreas rurais ele fica em 59%.

Projetos-piloto

Um dos projetos-piloto em desenvolvimento pela Embrapa tem como foco o monitoramento de pragas e doenças. Por meio do monitoramento e previsão do clima com o uso de estações meteorológicas o objetivo é evitar a incidência de ferrugem asiática na soja. “O sistema vai receber a data mais certa para aplicar o defensivo dependendo do clima, cruzando com dados da doença. Vamos medir se isso realmente ajudou a reduzir custo e aumentou produtividade”, explica Silvia Massruhá.

Outro projeto, também coordenado pela empresa pública, envolve a otimização de formas denominadas no setor de “integração lavoura, pecuária e floresta”. Um produtor de soja, por exemplo, que planta durante três meses fica com a área ociosa no restante do ano. Ele poderia, com auxílio das tecnologias, encontrar outros usos para o solo, como o plantio de pastagem para a criação de gado. Ao lado do pasto poderia ser plantado eucalipto, o que possibilita sombra para os animais.

Os sistemas de Internet das Coisas no projeto-piloto vão medir diversos aspectos dessa integração. É o caso dos níveis de adubação do solo. Os bois terão chips implantados e por meio desse equipamento e outros (como balanças) será realizado um cruzamento de dados com outros aspectos, como alimentação, para identificar o seu desenvolvimento e a melhor hora do abate. O teste será realizado com produtores em cinco estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Piauí.

No Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, um terceiro projeto-piloto busca otimizar a produção de leite, com procedimentos como o monitoramento da alimentação dos bois e a automatizando da ordenha. Ao fim, o leite será comparado com outros sem a adoção dessas tecnologias para avaliar se essas soluções geraram melhoria da quantidade e da qualidade do produto.

O centro de desenvolvimento de tecnologia CPQD conduz um projeto com uma empresa agropecuária instalando sensores em tratores e outros equipamentos com o propósito de monitorar o desempenho das máquinas. O sistema vai acompanhar a distância rodada, o consumo de combustível e eventuais problemas de modo a identificar demandas de manutenção.

“Imagina se você está no meio do campo e a máquina quebra. O produtor tem que parar a colheita, remover a máquina e mandar outra. Se for possível pegar todos os dados dela e prever que ela tem possibilidade muito grande de quebrar, a pessoa poderá encaminhar pra manutenção antes que ocorra alguma coisa”, explica o diretor de inovação do CPQD, Paulo Curado.

Políticas públicas

A agropecuária é apontada por pesquisadores, empresários e autoridades como um dos setores onde as tecnologias de Internet das Coisas vêm obtendo evolução mais rápida. “Tem muito potencial no Brasil na parte de agricultura. É uma das áreas prioritárias e que vem forte nos próximos anos”, destaca o presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), Flávio Maeda.

A área foi escolhida como uma das prioritárias no Plano Nacional de Internet das Coisas, lançado em junho. O documento aponta diretrizes genéricas, sem entrar nos detalhes de que medidas serão adotadas por órgãos estatais para estimular essas tecnologias no campo.

A elaboração de propostas e projetos ficará a cargo de um grupo criado para esta finalidade, denominado Câmara Agro 4.0. Encabeçado pelos ministérios da Agricultura (Mapa) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), contará também com a participação de outros órgãos, de pesquisadores e de associações e empresas do setor no país.

Segundo o secretário de inovação, desenvolvimento rural e irrigação do Mapa, Fernando Camargo, os integrantes vão avaliar ações em diversas frentes. A mais importante será a ampliação da conectividade nas áreas rurais, dada a extensão territorial e o contingente de pessoas ainda fora da Internet nesses locais. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2017, do Comitê Gestor da Internet, enquanto o índice de lares com acesso à web é de 65% nas regiões urbanas, nas rurais ele cai para 34%.

A Câmara também deverá se debruçar sobre programas para fomento à aquisição e difusão de tecnologias inovadoras. Dentre essas, um dos intuitos é estimular a criação e o crescimento das empresas de base tecnológica, também conhecidas como startups. O objetivo com a disseminação dessas soluções técnicas é ampliar a produtividade no campo. “Precisamos incentivar novas empresas, startups, para aumentar cadeia produtiva dentro da área do agronegócio”, defendeu o titular do MCTIC, Marcos Pontes, no evento de lançamento da Câmara.

Fonte: Agencia Brasil
11 de setembro de 2019 às 08h44

Para salvar as abelhas é preciso mudar colmeias

A diminuição de quase 40% no número mundial da população dos principais polinizadores, as abelhas, está exigindo que se criem mais colmeias diferenciadas para “salvar” esses insetos. Foi isso que informou o especialista Derkel Mitchell, em um artigo que foi publicado no portal The Conversation.

Além disso, ele explica que é preciso que a apicultura utilize técnicas modernas para proteger as suas abelhas, como o monitoramento daquelas que vivem em locais muito diferentes do seu habitat natural. Mitchell é especialista no assunto, tendo dedicado anos de sua vida acompanhando a apicultura.

“Há alguns anos, demonstrei que as perdas de calor das colmeias artificiais, ou seja, aquelas feitas pelo homem, são muitas vezes maiores do que os seus ninhos na natureza. Agora, usando técnicas de engenharia é possível encontrar mais facilmente esses problemas. É possível notar que o desenho atual das colmeias artificiais também cria níveis de umidade mais baixos, que favorecem parasitas predadores dos insetos”, comenta.

Isso porque, os ninhos naturais que são formados dentro das cavidades das árvores criam altos níveis de umidade, onde as abelhas conseguem evitar que esses parasitas se reproduzam, podendo estragar a qualidade de vida da colmeia, ou até dizimar a população. “Podemos ver a qualidade das abelhas na sua capacidade diferenciada de escolher ninhos maiores ou menores, dependendo das características do ambiente e também das próprias características dos polinizadores para aquele local específico”, conclui o especialista, em sua publicação.

Bioinseticida tem controle superior da lagarta-do-cartucho

Em sua primeira safra comercial, o bioinseticida Cartugen apresentou resultados 72% superiores no controle da lagarta Spodoptera frugiperda no algodão em relação ao tratamento químico. É o que comprovaram pesquisadores referenciados no Brasil, de acordo com relatórios de eficácia do produto aplicado em 34 áreas da pluma – uma área equivalente a 250 mil hectares – comparado ao tratamento padrão.

A entomologista Dr. Lucia Vivan, há 16 anos na Fundação Mato Grosso (FMT), integrou a equipe de consultores que avaliou os efeitos de baculovírus sobre Spodopteras no algodoeiro, coordenando os estudos na região de Alto Garças (MT). De acordo ela, o Cartugen “se encaixa adequadamente ao manejo de S. frugiperda”.

“Na área com emprego de baculovírus houve melhor controle de S. frugiperda do que naquela tratada somente com químicos, além de proteção da estrutura das maçãs do algodão. Baculovírus são uma opção. O produtor deve aplicá-los com nova mentalidade, enxergando uma boa alternativa de longo prazo para ter melhor resultado de controle”, afirma Lucia.

O professor/Doutor da Unesp de Ilha Solteira (SP), Geraldo Papa, relata que as pesquisas que acompanhou no Mato Grosso (região da paulista Votuporanga) mostraram que o controle biológico com baculovírus funcionou como “segurador de populações de pragas”: “A entrada dos baculovírus ajudou muito na proteção das maças do algodão. Quando se associa baculovírus ao inseticida químico, há bom controle da Spodoptera frugiperda”.

Marco Tamai, professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia, campus de Barreiras, salienta igualmente o bom resultado da inserção de vírus ao manejo químico da Spodoptera frugiperda. “A safra 2018-2019 teve uma das maiores infestações de Spodopteras que vi. Houve áreas quase cem por cento infestadas. O vírus potencializou o resultado dos químicos e isso não foi coincidência, porque já acontece há três safras consecutivas”, resume Tamai.

Segundo Adriano Vilas Boas, diretor da fabricante do Cartugen (AgBiTech), os estudos da safra 2018-19 compreenderam a média de 4,5 aplicações do bioinseticida, em áreas comerciais da Bahia, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Já o tratamento padrão do produtor de algodão contra a Spodoptera frugiperda se baseia somente nos inseticidas químicos.

“A inserção dos baculovírus ao manejo da Spodoptera frugiperda preservou o potencial produtivo de lavouras de algodão. Os campos auditados registraram média de 13 estruturas reprodutivas a mais por metro linear ante o manejo do produtor, um ganho equivalente a 25 arrobas (375 kg) de algodão em caroço por hectare”, afirma Vilas Boas.

Ele destaca ainda que os indicadores de desempenho do bioinseticida Cartugen medidos na safra 2018-19 receberam a aprovação da consultoria global SGS. A lagarta-do-cartucho provoca danos a até 60% de uma lavoura de algodão, transferindo prejuízos anuais da ordem de US$ 500 milhões a produtores brasileiros da pluma.

Vilas-Boas afirma que em 71% das áreas monitoradas o produto Cartugen trouxe resultados superiores aos do tratamento padrão na retenção de maçãs e plumas, na 1ª e na 2ª posição dos ramos. “Em relação às estruturas reprodutivas totais, o produto entregou resultados superiores em 74% dos casos.”

O diretor da AgBiTech estima que na safra de verão 2019-20 a empresa chegará à marca de 2 milhões de hectares tratados com seus baculovírus, em soja, algodão, feijão, tomate e demais ‘culturas de cobertura’: “O planejamento prevê lançamentos de produtos e a ampliação da capacidade da fábrica no Texas (EUA), para suprir à demanda crescente do Brasil.”

De acordo com os especialistas, a adoção dos baculovírus no controle de lagartas do gênero Spodoptera no algodão, sobretudo da lagarta-do-cartucho, deve ser intensificada nas próximas safras. A tendência de crescimento do mercado de defensivos biológicos no Brasil foi detectada no último estudo BIP – Business Inteligence Panel, da consultoria Spark Inteligência Estratégica. O levantamento apontou que somente na sojicultura esses produtos movimentaram US$ 100 milhões na safra 2018-19, com alta de 45%. A área tratada com biológicos na soja também cresceu para 7,8 milhões de hectares, uma elevação de 152%.

Fonte: AGROLINK –Leonardo Gottems


“Agrônomo do futuro deve ter visão crítica e multidisciplinar, diz Confea”

“Investir na formação de um profissional com capacidade de análise crítica e conectado às demais áreas do conhecimento. Este será o principal desafio da agronomia brasileira no futuro próximo, de acordo como o coordenador das Câmaras Especializadas de Agronomia (CCEAGRO) do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Kleber Santos, que recebeu a equipe da Expedição Safra no fim de março em Brasília.”

“Para Santos, os engenheiros agrônomos estarão cada vez mais inseridos em um mundo globalizado e preocupado com os recursos naturais e com as pessoas, tendo de enfrentar uma agronomia pujante e tecnológica. “Esse profissional precisará ter uma visão não apenas produtivista, mas de desenvolvimento socioambiental”, explica, apontando para a necessidade de uma visão multidisciplinar dos novos profissionais e sempre conectada com outras áreas, especialmente as engenharias.

“O coordenador da CCEAGRO também demonstrou preocupação com o que chamou de “febre” de novos cursos de Agronomia que se multiplicam, especialmente os de ensino a distância. Esse assunto foi abordado em entrevista publicada no site Gazeta do Povo. Confira alguns trechos da entrevista:

Gazeta do Povo – Qual o principal desafio para o engenheiro agrônomo hoje em dia diante um mundo cada vez mais globalizado?

Kleber Santos: Neste ano vamos ter o Congresso Brasileiro de Agronomia, que vai ocorrer entre 20 e 23 de agosto, e as grandes demandas em discussão no Congresso serão as mesmas dos profissionais hoje, como discutir, por exemplo, a dimensão da agronomia em um panorama internacional e a capacidade do profissional brasileiro, que é muito valorizada lá fora, de transformar tudo o que encontra em terra fértil. Parafraseando Pero Vaz de Caminha, aqui no Brasil “tudo o que se investe em trabalho, dá.” Queremos mostrar um Brasil que trabalha, produz e tem conhecimento e capacidade. Nada se desenvolve espontaneamente. E temos que trabalhar conservando os nossos recursos ambientais sem esquecer do desenvolvimento social. O grande desafio do engenheiro agrônomo hoje é ter essa dimensão de uma agronomia pujante, tecnológica e que não tem uma visão apenas produtivista, mas de desenvolvimento socioambiental.

Como está a questão da formação profissional dos futuros agrônomos?

Santos: A gente defende na formação do engenheiro agrônomo que precisa haver a multidisciplinaridade e integração com outras áreas do conhecimento. Por isso somos contra o ensino 100% a distância. Ele é importante, mas você imagine fazer isso de modo inteiramente digital. Queremos o engenheiro conectado diretamente com outros profissionais do agronegócio.

Número de profissionais acompanha a demanda do país?

Santos: Temos hoje em torno de 105 mil profissionais registrados no Conselho e aproximadamente 460 cursos de formação. O que a gente nota é que há uma multiplicação desses cursos e a nossa preocupação é com a qualidade deles. O surgimento de um novo curso não pode ser só pensando na quantidade. Temos que nos preocupar que esse futuro profissional tenha uma formação conectada com os grandes desafios, senão vamos estar formando o que? O agricultor hoje também está conectado e tem muito acesso à informação. Ele quer um profissional que tenha capacidade de análise crítica. Não temos hoje um indicador preciso com relação ao número de engenheiros agrônomos necessários para o país. Essa é uma análise complexa, porque esse profissional não atua sozinho. Outra coisa é a capacidade de atuação, pois o agrônomo hoje pode utilizar uma série de ferramentas que multiplicam essa capacidade.

De que forma projetos com a Expedição Safra, do qual o Sistema Confea/Creas é parceiro, pode ajudar nesse sentido da formação profissional dos agrônomos?

Santos: A Expedição Safra hoje pode nos ajudar a identificar quais são as principais demandas para se formar um engenheiro agrônomo, sejam elas tecnológicas, de produção ou socioambientais. Podemos com isso montar o perfil ideal exigido do profissional Hoje temos uma grande preocupação dentro do Conselho que é fazer com que o agrônomo tenha um perfil mais eclético. Ele tem que entender de solos, de água, de plantas e de animais. Isso não exclui os especialistas, mas o agrônomo precisa ser um generalista que vai dialogar com os especialistas, porque é com ele, generalista, que o produtor vai falar para resolver o seu problema. Uma virtude desse projeto da Expedição é que ele mostra também o Brasil do agronegócio e da agropecuária que não está nas capitais, que é puxado pela agronomia, mas que envolve as demais engenharias, de transportes, de construção. Muitas vezes o que o campo reclama é que o poder de decisão não está onde está se desenvolvendo a socioeconomia brasileira. O Brasil que está acontecendo está no interior do país.

Os cursos de Agronomia estão alinhados em relação aos conteúdos e a qualidade desses conteúdos?

Santos: Hoje há uma febre muito grande de abertura de novos cursos e vagas e a nossa preocupação é justamente com essa qualidade, inclusive com o crescimento do EAD. Isso acende uma luz vermelha para a gente. Temos publicado vários documentos sobre isso, tivemos audiências recentemente com o secretário nacional de Ensino Superior do Ministério da Educação e com o diretor de Regulação da Secretaria de Ensino e Supervisão do MEC e entregamos a eles um documento que fala sobre essa preocupação com a qualidade. Não vou te dizer que os cursos são ruins, mas a heterogeneidade deles é muito grande, seja em escolas públicas ou privadas. Temos também vários rankings e parâmetros de qualidade, mas não sabemos quais os critérios usados, por isso não podemos adotá-los como referência.

O profissional de hoje precisa também de capacitação constante. Como ele está se preparando para isso?

Santos: Na medida em que temos esses seminários da Expedição Safra, temos também a oportunidade de trabalhar e interagir com as comunidades locais e capacitar os profissionais. A riqueza desse país não está só na soja, milho, carne e leite. Há um potencial enorme que precisa ser desenvolvido e que necessita de um profissional preparado. Se pegarmos por bioma, no caso do Amazônico o cupuaçu e o açaí – que não está só na Amazônia – tem enorme potencial. Na Europa, por exemplo, uma tigela de açaí é muito valorizada. Então esse profissional vai precisar saber trabalhar os potenciais de cadeia produtiva e conhecer os biomas. E ter também uma visão de gestão.”
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/expedicoes/expedicao-safra/2018-2019/agronomo-do-futuro-deve-ter-visao-critica-e-multidisciplinar-diz-confea-4lzsn768tb1gkvohbc02rm6ox/


A AEAPA realiza Curso Prático de cultivo de horta em pequenos espaços. Dia: 27/04/2019. Hora: de 9 -13hs.

O cultivo de alimentos saudáveis é uma alternativa viável a todos! Já pensou no prazer de colher ervas, temperos e hortaliças fresquinhas e saudáveis em sua própria casa, aproveitando espaços como beirais de janelas, pátios, corredores, varandas, sacadas e quintais e ainda praticar uma terapia eficiente contra o estresse do dia a dia?

Venha participar conosco dessa maravilhosa experiência! O curso abordará várias espécies cultivadas e suas relações com os tipos adequados de vasos, além da produção de mudas, localização da horta, rega, adubação e controle alternativo de pragas e doenças e as PANCS (plantas alimentícias não convencionais).


Cultive seus próprios alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos! Cada participante leva para a casa uma jardineira com três hortaliças plantadas.

O cultivo de alimentos saudáveis é uma alternativa viável a todos! Dia: 27/04/2019. Hora: de 9 -13hs. Local: Sede Social da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Pará, sito a Av. Alcindo Cacela, nº 1032. Instrutor: Mário Jorge Rocha, Engenheiro Agrônomo com experiência em agricultura urbana, especialmente em projetos de hortas escolares, domésticas e comunitárias. OBS. Cada participante deverá trazer o seu lanche e o seu copo. CONTATO : (91) 3226-6007 Investimento R$ 90,00

Banco da Amazônia inicia celebrações dos 30 anos do Fundo de Financiamento do Norte

Nesta quarta-feira, 27, o Banco da Amazônia deu início às comemorações pelos 30 anos do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), regulamentado em 27 de setembro de 1989. A celebração foi no município de Irituia, nordeste do Pará, com o primeiro Seminário Integrado do FNO. A iniciativa faz parte de uma ação do Banco, que ocorrerá em 450 municípios da Região Norte.

Ao longo desse tempo, foram 700 mil operações contratadas, totalizando R$ 45 bilhões aplicados na região Norte, gerando 2,7 milhões de empregos, R$15 bilhões em salários, arrecadação de tributos superior a R$22 bilhões e crescimento de R$80 bilhões no PIB da região.

DOUTORANDA DA UFRA É SELECIONADA EM DESAFIO DE LÍDERES DO AGRONEGÓCIO

A discente de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra),Letícia Cunha da Hungria, foi um dos quatro selecionados para representar o Pará na etapa nacional do Programa CNA Jovem, edição 2019, que está ocorrendo em Brasília (DF). Trata-se de uma iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), que busca descobrir e incentivar jovens com potencial para assumir papeis de liderança no setor agropecuário brasileiro, nos âmbitos institucional, sindical, político-partidário, educacional e empresarial.

O programa é voltado para brasileiros com idade entre 22 e 30 anos, com formação técnica ou superior. Letícia conta que, para chegar à etapa nacional, passou por um processo seletivo com duração de um ano, realizado em todo o Brasil através de um curso EAD sobre liderança empreendedora. O curso teve mais de 100 indicações ao SENAR somente no Pará. Em 2018, foram realizadas três etapas locais, durante as quais os participantes foram preparados com cursos que abrangiam desde oratória até o desenvolvimento de propostas para os mais diversos problemas relacionados ao agronegócio. Ao final, quatro jovens foram selecionados, sendo que a estudante da Ufra foi indicada pela Associação dos Engenheiros Agrônomos do Pará.

Cada participante elaborou um plano de ação. O plano de Letícia contemplava uma estratégia com o objetivo de transformar a economia atual (economia linear) em economia circular no setor rural brasileiro. “A economia circular é fundamental para atribuir maior vida útil aos recursos de produção, reduzir a pressão sobre a obtenção de matéria-prima e agregar valor ao produto”, explica. A ideia da doutoranda é realizar isso dentro das propriedades rurais. “Por exemplo, todo e qualquer resíduo gerado nas cadeias produtivas deve retornar ao processo produtivo, seja por meio de compostagem, biocarvão ou outras biotecnologias. Meu projeto piloto será a cadeia de açaí, utilizando uma plataforma criada por mim para mapear as principais propriedades produtoras de açaí. A ideia é agregar valor comercial e atribuir a pegada ambiental e de marketing, que pouco se vê no estado”, conta.

A etapa nacional, em Brasília, está em andamento até julho de 2019. No primeiro encontro, os 61 participantes de todos os estados do país puderam conhecer o processo legislativo na Câmara dos Deputados para aprovação de um Projeto de Lei (PL) e vivenciaram uma simulação de tramitação de um PL. Os próximos encontros do programa ocorrerão nos meses de abril, maio e julho.

Para ela, tem sido uma experiência gratificante poder contribuir para o agronegócio brasileiro. “Vamos consolidar o nosso lugar de potência na produção agropecuária. Poder linkar o que amo fazer com algo muito necessário para a turbinada que o agronegócio brasileiro precisa é uma oportunidade edificante para minha trajetória, tanto acadêmica quanto profissional”, afirma. Embora o espírito de liderança seja natural para a jovem, ela conta que a Ufra desempenhou um papel fundamental para a consolidação desse aspecto em quase oito anos de vínculo que tem com a instituição. Na Universidade ela cursou graduação em Agronomia, mestrado e, hoje, doutorado. “Carrego e sempre carregarei uma bagagem de conhecimento e experiência que adquiri com excelentes profissionais da Universidade”, diz Letícia Hungria.

O Programa CNA Jovem está na 3ª edição e, este ano, oferece uma premiação para o melhor desafio em grupo. Os vencedores terão a oportunidade de ter o seu projeto executado, com apoio da CNA, além de participar de um congresso que acontecerá em São Paulo, no mês de outubro, com autoridades da área. Já os três primeiros colocados individuais do programa, que serão avaliados por critérios de liderança, ganharão uma viagem para conhecer o Vale do Silício, na Califórnia (EUA).

CNA Jovem 2019 2